O gestor sublinhou que o atual pipeline de projetos contraria a antiga ideia de que o complexo portuário seria um "elefante branco", apontando como grande objetivo para a próxima década a consolidação de uma zona logística totalmente integrada com o porto.

O forte dinamismo económico tem gerado, contudo, uma forte pressão demográfica e habitacional na região.

Nos últimos cinco anos, a população de Sines cresceu 12%, registando um aumento de duas mil pessoas, o que provocou uma crise no mercado imobiliário local.

Segundo Pedro do Ó Ramos, a oferta de habitação é escassa e os preços atingiram valores proibitivos, com os arrendamentos de tipologias T1 a fixarem-se nos 1.400 euros e os T2 a alcançarem os dois mil euros mensais.

No mesmo evento, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, anunciou a intenção de lançar o concurso público para o novo Terminal Vasco da Gama num prazo de 12 a 16 meses, estimando o seu arranque até ao final de 2027.

O governante defendeu a necessidade de uma estratégia integrada que articule a atividade portuária com os grandes projetos nacionais de transportes, incluindo o novo aeroporto de Lisboa, a expansão do Aeroporto Sá Carneiro e as novas redes ferroviárias de alta velocidade e das Linhas da Beira Alta e Beira Baixa.

Pinto Luz apelou ainda ao consenso político e à estabilidade nas decisões estruturais do país, criticando as constantes mudanças de rumo governativas.

Apesar do crescimento projetado, as acessibilidades continuam a ser o principal obstáculo ao desenvolvimento de Sines.

No plano rodoviário, permanece por concluir a ligação plena às principais autoestradas nacionais, dependente do alargamento do IP8 (A26) para ligar o porto à A2 e a Espanha, via A6.

Já no setor ferroviário, a ligação transfronteiriça com Espanha está concluída e encontra-se atualmente em fase de certificação, prevendo-se que esteja operacional no próximo ano para acelerar o transporte de mercadorias até Madrid.