A contestação foi apresentada no âmbito da consulta pública da Proposta de Definição de Âmbito do Estudo de Impacte Ambiental, com a organização a alertar para os graves riscos ecológicos e sociais que a instalação de 22 aerogeradores de grande porte poderá acarretar para a região.

Entre as principais preocupações manifestadas pela associação liderada por Alexandra Azevedo está a ameaça direta à flora local, nomeadamente o risco de abate de espécies legalmente protegidas como sobreiros e azinheiras, uma perda que os ambientalistas alertam poder acelerar os processos de erosão do solo e de desertificação no Alentejo.

O parecer aponta ainda o impacto severo na fauna, destacando a fragmentação do habitat de populações de morcegos e de aves de rapina e estepárias, além de potenciais danos nos recursos hídricos locais e na qualidade de vida das populações vizinhas devido à proximidade das linhas de alta tensão.

Por sua vez, a Galp esclareceu que o Parque Eólico do Mira foi desenhado sob um modelo de hibridização, pretendendo complementar a produção da já existente Central Fotovoltaica de Ourique.

A petrolífera sublinhou que o projeto se encontra numa fase muito preliminar de licenciamento e estimou que a construção só deverá arrancar após 2029.

Face aos argumentos apresentados, a Quercus defende uma alteração urgente no traçado da obra, exigindo a remoção ou relocalização dos aerogeradores planeados para as áreas consideradas ecologicamente interditas ou de elevada sensibilidade.