Diogo Coutinho, um dos promotores da manifestação afirmou que “a água é um recurso vital e percebemos que há menos água, que chove menos e que a água tem aqui uma gestão completamente desadequada, tem um modelo de gestão privado, controlado pelas estufas e pela industria alimentar”.

Enquanto isso, alerta o Diogo Coutinho, “as populações vão vendo a água cortada, o não abastecimento, cortes no rio, projetos de eucaliptais irrigados fora do Perímetro de Rega, os problemas sociais das estufas e os problemas ambientais, que se vão avolumando, com tendência a piorar porque cada vez vai chover menos e haverá menos água disponível”, sublinha.

Os promotores acusam a Associação de Beneficiários do Mira (ABMira), responsável pela gestão, exploração e conservação da Barragem de Santa Clara, de “negar água aos pequenos agricultores para dar a um grupo restrito de grandes empresas que deixam uma pegada social e ecológica insustentável e insuportável para as comunidades e o território”.

No protesto que decorreu no muro da barragem, foi apresentado um manifesto a exigir a restituição do caudal ecológico para o rio Mira, a gestão pública de um recurso único e comum, alteração nas prioridades de distribuição da água, começando pelo rio Mira, seguindo-se as populações e todos os agricultores sem exceção e investimentos na infraestrutura para a redução de perdas de água.

A Barragem de Santa Clara que abastece o concelho de Odemira e parte do concelho de Aljezur está atualmente com 47% da sua capacidade.