A façanha de Bruno Rosa começou a desenhar-se muito antes do tiro de partida.

O ciclista chegou à competição com um desgaste acumulado considerável, fruto de uma exigente viagem solitária de mais de oito horas de carro até ao sul de Espanha.

Ainda assim, a quebra física deu lugar à determinação assim que a prova começou. Numa fase inicial marcada por um ritmo avassalador, Bruno Rosa demonstrou a sua excelente forma ao integrar com distinção o restrito grupo de favoritos logo após a primeira grande subida do dia.

O grande teste à capacidade de superação do ciclista português surgiu sob a forma de um erro de navegação coletivo.

O engano forçou Bruno Rosa a um esforço hercúleo, obrigando-o a "queimar muitos cartuchos" para fechar o espaço e recuperar o terreno perdido até à frente da corrida.

Foi precisamente durante este momento de reorganização que Luis León Sánchez aproveitou para lançar um ataque decisivo e isolar-se na liderança.

Demonstrando a fibra dos grandes campeões, Bruno Rosa não se deu por vencido. Na última subida da jornada, o ciclista português desferiu um ataque demolidor e isolou-se por completo na perseguição direta a Sánchez.

Nem mesmo mais dois pequenos percalços com o GPS — que transformaram a fase final da sua corrida numa autêntica "carambola" tática entre a perseguição solitária e a pressão direta dos rivais mais próximos — conseguiram travar o atleta luso.

Bruno Rosa cruzou a linha de meta na segunda posição da classificação geral, garantindo uma vantagem preciosa de escassos segundos sobre o quarto classificado e terminando a cerca de três minutos do vencedor.

No final, visivelmente satisfeito, o ciclista português fez questão de deixar um forte elogio à organização do evento pela logística irrepreensível, comparando-a à dura experiência acumulada na Titan Desert de Marrocos.

Focado nos dias que se seguem e com os olhos postos no topo da classificação, Bruno Rosa apontou o caminho para o resto da competição: "É ter a cabeça fria e pensar uma etapa de cada vez. Estamos na luta!"