Durante uma visita ao Hospital do Litoral Alentejano para avaliar as condições locais, o responsável sublinhou que o país não pode continuar a olhar para todos os hospitais e territórios sob o mesmo prisma, exigindo uma abordagem e um "olhar especial" para as zonas mais flageladas pela escassez de recursos.

Após uma reunião com a administração da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) e de uma visita ao Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, Carlos Cortes alertou para as "enormes dificuldades" humanas que a instituição enfrenta.

Atualmente, a rede de cuidados de saúde primários da ULSLA conta com apenas cerca de 25 médicos — incluindo clínicos que, apesar de já terem atingido a idade de reforma, continuam no ativo —, num universo total que não chega aos 100 médicos para cobrir toda a região.

Esta carência estrutural nos centros de saúde acaba por se refletir diretamente numa pressão insustentável sobre os serviços de urgência hospitalar.

Numa região que regista cerca de 100 mil habitantes, o hospital local contabiliza anualmente o mesmo número em episódios de urgência.

De acordo com o bastonário, este rácio de 100 mil atendimentos por ano está muito acima da média nacional, posicionando esta unidade como uma das mais impactadas do país.

O cenário é agravado pelo dinamismo demográfico da zona, onde a resposta médica habitual é fortemente pressionada pela presença de comunidades imigrantes e por uma vasta população flutuante, atraída sobretudo pela atividade económica e industrial do polo de Sines.

Perante este diagnóstico, Carlos Cortes exortou o Ministério da Saúde a desenhar um "índice de carência" que tenha em conta as especificidades socioeconómicas locais, tais como o elevado custo da habitação na região e as debilidades na rede de transportes públicos, fatores que afastam os novos profissionais.

O bastonário anunciou que a Ordem dos Médicos vai entregar ao Governo um documento com propostas concretas de intervenção para as zonas de baixa densidade populacional.

Embora o Litoral Alentejano seja apontado como prioritário, o responsável lembrou que o problema se estende a outras geografias, como o restante Alentejo, o Algarve, o interior Centro e Norte, e até a áreas metropolitanas como Lisboa, no que toca à Medicina Geral e Familiar.