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Segundo os dados recolhidos, 79% dos portugueses planeiam gozar férias este verão, registando-se uma ligeira quebra face aos 85% contabilizados em 2019. No entanto, a taxa de quem opta por sair da sua residência habitual mantém-se nos 73%.

A grande mudança reside na geografia das preferências. O Alentejo Litoral lidera agora as intenções de viagem em território nacional, sendo a escolha de 60% dos inquiridos que ficam em Portugal.

Em sentido inverso, o Algarve sofreu uma queda acentuada, recuando de 48% em 2019 para os atuais 30%. Em contrapartida, o Norte Litoral registou um crescimento expressivo, saltando de 13% para 38% das preferências.

Fora de portas, Portugal perdeu algum peso como destino global (passou de 61% para 50%), enquanto a Europa reforçou a sua atratividade, subindo de 34% para 40%.A praia permanece como o principal fator de escolha, embora tenha perdido terreno ao passar de 59% para 47%, abrindo espaço para critérios como o preço e a oferta cultural.

Já a duração do período de descanso mostra-se estável, com 57% dos portugueses a optarem por duas semanas de férias.No plano financeiro, o orçamento médio por pessoa situa-se nos 750 euros, o que representa uma subida de 5% face aos 712 euros de 2019.

Apesar deste aumento absoluto, o sentimento de contenção é dominante: 43% dos participantes admitem gastar menos do que no ano transato e outros 43% pretendem congelar os gastos. Apenas 14% assumem que vão investir mais dinheiro.

Para viabilizar estas despesas, o subsídio de férias mantém-se crucial, sendo utilizado por 77% dos cidadãos (30% de forma total e 47% de forma parcial).O estudo destaca ainda o forte impacto da transição digital no setor do turismo.

A pesquisa de informação na internet saltou de 67% para 86% e, pela primeira vez, a Inteligência Artificial entra nas contas, servindo de apoio ao planeamento de viagens para 21% dos inquiridos.

As plataformas digitais dominam o processo de reserva (64%), impulsionando o Alojamento Local e o Airbnb, que juntos concentram metade das preferências de alojamento, seguidos pela hotelaria tradicional com 29%.Mafalda Ferreira, docente do IPAM e coordenadora da investigação, sublinha que os resultados refletem uma capacidade de adaptação dos consumidores.

De acordo com a responsável, perante uma maior contenção orçamental, os portugueses respondem com um planeamento mais rigoroso e com a diversificação de destinos, sem abdicarem do período de descanso.

O estudo do IPAM-Porto baseou-se numa amostra de 450 indivíduos maiores de 18 anos, auscultados através de questionários online e presenciais entre os dias 15 e 26 de junho de 2026.